fracassos

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quarta-feira, 14 de abril de 2010

CANTINHO DO DESABAFO FRACASSADO


Reproduzo a seguir um e-mail que acabo de receber do meu dileto companheiro de blog http://www.bachareisembaixaria.blogspot.com/ , Lucio Medeiros.
Inauguro e já encerro aqui o “Cantinho do Desabafo”, não pelo texto em si, que concordo plenamente, mas porque se eu for publicar tudo o que todos os pangarés pedem em emeious, essa porra aqui ia virar uma seção de reclamações da revista Contigo. Mas como achei muito procedente o que vai abaixo, publico.

Sem mais.

Parem de me mandar emeious, caralho!


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Sr. Merda Fracassado,


Dias desses recebi um e-mail de um leitor do seu blog reclamando da falta de conteúdo do meu textículo postado neste espaço. Ora, se o tema era a cagada, nada mais natural que da evacuação viesse a vacuidade, né não? Até aí morreu o neves, pensei.

Que fique claro: não escrevo para me defender de uma falta, suposta ou real, de conteúdo do meu, vá lá, trabalho. Sei que aquilo não valia um amém. Sempre achei que o valor da leitura se esgotava nela mesma, sem qualquer necessidade de ser portadora de alguma verdade. Um lance estético. Se alguns curtiram, fiquei satisfeito, se outros não, caguei e andei.

Você já deve ter percebido pelos nossos e-mails sr. Merda que nunca fui grande fã do Leminski. Penso que escreveu coisas boas e ruins. Mas tem um ponto alto: nomear a poesia de inutensílio. Não se trata de comparação já que não me penso, nem me quero, poeta, escritor, artista etc Só que eventuais méritos que alguém possa encontrar nesses e-mails que lhe envio estão justamente no fato de que deles se pode dizer que não valem nem chique nem mique.

É claro que o não dizer nada não significa que o texto seja artístico. Isso muitas vezes depende da habilidade de quem não diz. Só que se cobram de mim ou do senhor Merda conteúdo, aos merdalhões isso passa batido.

Dou exemplos citados de cabeça:

Num jornal do interior seria motivo de chacota uma desnotícia como essa que li anos atrás na Folha de São Paulo: “Já dura cinco dias o seqüestro de um empresário da baixada santista. O seqüestro não havia sido informado antes a pedido da família. Assim também o nome do seqüestrado não será divulgado para não atrapalhar as negociações.” Não é uma notícia fantástica? Revolucionária eu diria. Subverte a lógica de que jornal é o produto mais perecível disponível no mercado, só servindo para embrulhar peixe no dia seguinte. A obra de arte que transcrevi acima poderá ser reimpressa ad infinitum.

Mas no terreno da “arte” é que temos verdadeiras pérolas. Nesse campo, onde as subjetividades mandam muito mais que qualquer apreciação objetiva, QUEM diz se impõe sobre o QUE se diz. A vontade de parecer profundo (conteudístico) produz várias pérolas do non sense involuntário. E o público apupa ou aplaude a pabulagem conforme o nome. Para demonstrar o que falei vou me restringir ao universo dos poetas da canção popular e, dentre esses, a exemplos pegados ao léu:

Jorge Mautner: “a pipoca da pororoca da imaginação permanente.” Essa monumental bobagem foi dita em um depoimento a um documentário sobre as relações entre musica popular e poesia.

Chico Buarque: “o meu amor me chamou/ para ver a banda passar/ CANTANDO coisas de amor” Banda marcial cantando?!?

Luís Melodia: “lava roupa todo dia/ que agonia/ na quebrada da soleira/ que chovia ...” a música se chama Juventude Transviada. Tudo a ver, né?

Se exibindo como caras lidos, produzem um troço laido. Mas quem se atreve a dizer que o Mautner um idiota? Que o Chico não é grande poeta de que tanto dizem? Que o Melodia é incapaz de juntar lê com crê? Eu digo e não me importo que ninguém me ouça. Azar de uns, sorte de outros.

Sem querer me comparar ao Millôr, esse sim um gênio, aliás um dos poucos que esse país produziu, sei que “tudo que digo, acreditem,/teria mais solidez/ se, em vez de carioquinha,/eu fosse um velho chinês.”

O e-mail já está ficando muito grande, por isso encerro por aqui.

Não sem antes de lembrar que de minha parte continuarei cagando e andando para qualquer tipo de chateação. Enquanto o senhor permitir, continuarei obrando naquele espaço.

É isso.

Abração do

Lucio

quarta-feira, 17 de março de 2010

SUPER FRACASSADO



Desde quando criei este blog, minha intenção, sabendo que poderia reunir vários relatos alusivos às minhas tentativas fracassadas de sucesso, era expor o que eu achasse que valeria a pena estar aqui, na minha autobiografia, como um retrato de alguém que é um merda.

Mas nunca pensei que um dia eu chegaria a ser tão merda assim. Explico: Esta postagem justifica, com certeza, a existência deste blog. Lembremos, “Autobiografia de um Merda ou o Manual do Fracassado”.

Não é esse o nome desta nefasta coleção de insussessos?

Li agora uma notícia que aconteceu nesse último mês me chamou muito a atenção: a morte do bibliófilo-mor José Mindlin.

Li também outra notícia que me deixou estarrecido, estupefato, perpexo. Dessa eu falo daqui a pouco. Tem a ver com o fato de eu ser colecionador também. Uma espécie de José Mindlin fracassado. Comecemos com a do José Mindlin e sua coleção, aí eu falo da minha coleção e por final escrevo sobre o meu tal super fracasso monumental.


José Mindlin foi um notório amante da leitura e o maior colecionador de livros do Brasil. Uma coleção de livros raríssimos que, ainda em vida, Mindlin comprometeu-se a disponibizá-la ao público doando-a à USP. Centenas de milhares de livros que , juntos, valiam uma fortuna. Mindlin abriu mão de vendê-los ( muitos colecionadores do Brasil e do mundo inteiro estavam interessadíssimos em adquiri-los) para, num gesto nobre, digno de uma alma caridosa para com a cultura brasileira, doá-la sem bônus nenhum.

Um grande homem. Morreu entre os justos. Fez o bem sem pensar a quem. Um homem que teve uma vida de sucesso.

Ainda sobre coleções e colecionadores, falemos agora de fracasso.

Eu sempre fui um comprador compulsivo. Com os meus salários, com o dinheiro que pingava ganhado de parentes, e biscates ( carregava compras para madames na feira, já aos 8 anos) sempre “investi” minha grana que sobrava em quinquilharias de leitura. Até os 33 anos ( há 3 anos atrás), nunca havia me desfeito da minha vastíssima coleção de gibis. Me lembro que aos onze já tinha mais de dois mil. Marvel, DC, Gibi dos Trapalhões , Turma da Mônica, Riquinho, Brucutu, Popeye, Família Buscapé, Johnny Hex, Luluzinha, etc. Aos doze, comecei a colecionar os gibis do TEX, Conan, o Bárbaro, Spirit, Kripta...

Uma pequena cronologia demonstrativa da coisa:

1988: Comecei a trabalhar aos 13. Ajudante de pedreiro, boy, animador de festa infantil ( acho que já postei aqui sobre isso), balconista de padaria... Já tinha, até então, acrescentada à minha coleção, quase todas as publicações de humor em quadrinhos do Brasil. As que já tinham saído das bancas, eu comprava em sebos. Coleções completas da Mad, Chiclete com Banana, Piratas do Tietê, Circo, Animal, Heavy Metal, Casseta Popular, Mil Perigos, Bunda, Níquel Náusea, Geraldão, Dumdum, Kriptóris, Fráuzio, Planeta Diário, etc. Ah, fanzines também! Centenas fanzines do Brasil inteiro.

1989: Com 14, comprei meu primeiro livro: “A verdadeira história do paraíso” do Millôr Fernandes. Daí em diante, nunca mais parei de comprar livros. Uma média de cinco por mês, no mínimo.

1990: Com 15, adquiri de um colecionador TODOS os números do jornal O Pasquim.

Do primeiro gibi que comprei aos 8 anos e o primeiro livro aos 14, sempre guardei o que ia compulsivamente comprando.

Minhas aquisições ganhavam uma quantidade assustadora. Freneticamente, passei a comprar, ainda na década de oitenta, vinis, cassetes, VHS... Centenas e centenas de tranqueiras enfurnadas no meu quartinho.

Nos 90’s, lançamento do disquinho de música digital, comprava cds quase que semanalmente, mas sempre continuando com a obsessão de juntar mais gibis e livros e vinis e ...

...me lembro que no final do ano de 1991, minha tia vindo de uma viagem da Inglaterra, um mês antes de voltar para o Brasil, me ligou e perguntou se eu queria algo de lembrança, um presente. “Até trezentos dólares”, ela disse. Prontamente pesquisei numa revista importada sobre quadrinhos e descobri que existia uma loja de comic books em Londres chamada Forbidden Planet. Um sebão que vendia tudo quanto era raridade em quadrinhos. Pedi que ela procurasse lá a edição número 1 da Action Comics, de 1938 ( em que o meu herói preferido, o Superman, surge pela primeira vez). E não é que ela achou? Me ligou assustada perguntando porque um gibi custava tanto: “Caralho! 550 dólares uma merda um gibi velho! Tem certeza que quer isso mesmo? Eu te levo um walkman maneirão, um casaco de frio...” Nem ouvi as outras propostas dela. Feliz da silva e nervoso falei pra ela comprar o gibi de qualquer maneira. Expliquei o preço porque era um gibi era antigão e raro e que comprasse assim mesmo. Eu esgoelei que até restituiria os duzentos dólares que ela interaria na cota estabelecida para o presente.

E continuei a pedir pra conhecidos que viajavam pro exterior que trouxessem mais gibis raros pra mim. Essa era a minha nova mania.

1994, dezenove anos, quis morar sozinho. Ter meu próprio apê. Consegui. Aluguei um com dois quartos: um só pra tranqueirada e outro pra eu dormir ( que ainda ficava a metade entupido de livros).

Anos 00, consumo irrefreável de dvd’s...

Putamerda!

Reuni, acredito ( nunca consegui contabilizar com calma), mais de cinco mil livros, três mil revistas, centenas de jornais, uns quinhentos VHS’s, milhares de cd’s e dvd’s.

Fiz as contas: entre os 13 anos ( quando recebia um salário mínimo) e os 33 anos, gastei, em média, metade de um salário mínimo por mês consumindo todas essas tranqueiras ( isso sem contar quando pingava uma grana extra tipo 13º, férias, que gastava integralmente com essas coisas).

2007: Aos 33 anos me bateu uma neura: “Quanto eu gasto ( gastei) reunindo toda essa bagulhada durante esses anos todos?”

Numa conta fácil, calculei: meio salário mínimo ( mais ou menos uns duzentos e cinquenta reais – ou uns cem dólares ) por mês, por baixo, em média, gasto.

R$ 250,00 x 12 = R$ 3.000. (ano) / R$ 3.000 x 20 (anos) = R$ 60.000.

Se eu for contar os gastos excessivos nos 13ºs de fim de ano e férias e indenizações de empresas que tinha trabalhado, poderia aumentar aí mais uns 30%.


R$ 60.000 + 30% = R$ 80.000, no mínimo!

R$ 80.000, se colocados numa poupança, por todos esses anos, poderia chegar a quase duplicar esse valor.

Pois bem. ( bem porra nenhuma! mals pra caralho!)

Eu, em 2007, ganhando ainda uma mixaria, solteiro, sem família, sem filhos, sem carro, sem casa própria, sem patrimônio nenhum ( nem uma bicicleta), respirei fundo aquele cheiro de mofo e me senti um merda. Um fracassado. Um homem com 33 anos vivendo um mundo fictício, adolescente.

Via meus amigos de infância e adolescência com as suas vidas realizadas. Carro, casa própria, filhos, vida de adulto.

Eu cheio de dívidas com os bancos ( justamente por estourar os cartões comprando mais bugigangas) e fudido.

No dia da véspera desse meu aniversário de 33 anos, sentei no meio da minha biblioteca-depósito de cds e dvds e vhs e revistas e comtemplei-as. Aquilo não valia porra nenhuma! Minha, então, namorada até tirou umas fotos minhas enquanto eu olhava os livros manguaçadaço.

A vida real havia me chamado. Síndrome de Peter Pan: Out!

Tomei uma decisão. Uma decisão adulta pra caralho. Uma decisão que iria mudar a minha vida.

33 anos! Mato esse passado funesto. Essa vai ser a minha ressurreição!

Bati no peito cabeludo:

“Vou me desfazer de TUDO. Tudo isso! Essa merdaiada toda não me trouxe benefício nenhum, não sou mais inteligente do que ninguém, não me tornei um intelectual, não sou bem sucedido nem no meio em que me propus investigar durante todo esse tempo.”

Vou me desfazer de TUDO. Vender a quilo. Nada de procurar sebos e ficar barganhando mixaria e me humilhando por uns trocados.

Vida nova.

“Vou na apara de papel que tem perto da minha casa e perguntar quanto eles pagam por quilo.”

Aquilo era, não há de se negar, papel. Com palavras escritas que não me ajudaram porra nenhuma a vencer na vida.

“Em busca do tempo perdido”? : papel! ; “Livros autografados?” : papel! ; “Coleção completa dos tomos de Ruy Barbosa? : papel! ; “Todos os clássicos da literatura nacional?” : papel! ; “Primeiras edições ( arduamente garimpadas em sebos) de Machado de Assis, Lima Barreto, Euclides da Cunha, Érico Veríssimo, Augusto dos Anjos, Lima Barreto”? : papel! ; “Milhares de revistas, coleções completas de revistas e jornais de humor desde Ângelo Agostini até a Bundas?” : papel!

Papel! Papel! Papel! Papel mofado, inútil.

“Vão todos virar picadinho na apara de papel, que é o lugar de vocês!”

Arrumei um caminhão e levei tudo para a apara de papel. Uma que tem na Rua Assis Ribeiro. Quem mora aqui em Barra do Piraí/RJ, sabe onde é.

Três toneladas e meia de papel, foi o que deu.

O cara me pagou mais ou menos uns seiscentos reais por todo aquele papel inútil. ( R$ 0,20 pago por quilo)

Pedi ao cara do depósito de reciclagem de papel que pudesse ver tudo aquilo virando uma massa disforme de papel picado.

Eu gargalhei aplaudindo vendo aquilo tudo sendo triturado.

Matei meu passado. Ia começar do zero. No meu apê só havia sobrado a poltrona, a geladeira, minha cama e o fogão.


Até meu aparelho de dvd, meu som e o home theater eu vendi por uma bagatela.

Não queria contato com nada que se relacionasse a “cultura”.

Tive a sensação de que tinha renascido das sombras. Ressucitado aos 33 anos.

Isso faz três anos.

Agora a segunda notícia estarrecedora. Neste momento, são exatamente 02:30 da madrugada do dia 18 de março de 2010 e eu sem sono, há meia hora atrás, estava fuçando na internet de bobeira.

Vi uma parada que me deu vertigem e uma palpitação.

Abri correndo o meu arquivo de fotos no computador. As fotos que a minha ex-namorada havia tirado no dia anterior à desova de todos os livros e gibis, em meio ao amarfanhado de papelada. Dizia ela que era pra que eu pudesse me lembrar, caso me desse saudade, dos livros, revistas e da vida que eu vivia.

Achei as fotos.

Olhei bem uma das fotos.


(Repare na revista que eu destaquei. Lembra da tal 1ª revista do Superman que a minha tia trouxe em 1991 pra mim? É esta. Olha eu, lá no fundinho, já meio manguaçado, lendo dos raros gibis...)


( Aqui, eu tô felizão comemorando em grande estilo etílico - essa pinga tava guardada para uma ocasião super especial - o fato de eu estar me desfazendo da papelada toda)


(Relendo pela última vez alguns livros que em breve iriam pro bebeléu)

( A última foto tirada nesse dia, 12 de junho de 2007, horas antes de mandar tudo pro cacha-prego. A besta aí achava que era infeliz e não sabia que iria ser muito mais!)

Então. Deu pra dar uma sacada nas fotos?
Olhe novamente ali em cima, na primeira foto e perceba, com atenção, qual é o gibi estava no meio dos que eu levei pra apara de papel.
Era justamente o que a minha tia havia trazido há vinte anos atrás de Londres pra mim e que eu tinha guardado intacta até então:

(Essa capa do gibi eu tirei do Google Imagem, o que eu tinha tava num estado de conservação bem menos detonado.)

Mas, voltando ao assunto, qual era a notícia que eu tinha visto na televisão que fez com que eu desencavasse essas fotos?

http://www.youtube.com/watch?v=ZyufqGVSQPk

Li na internet também...

http://noticias.uol.com.br/bbc/2010/02/23/1-gibi-do-super-homem-e-leiloado-por-us-1-mi.jhtm


Porra! Olhe novamente para essa foto e pras imagens no you tube!



A porcaria do gibi ultra-mega-blaster-raro, em 2007 virou picadinho no galpão de moagem de papel. Se virou papel reciclado,hoje alguém deve estar limpando a bunda com 1 milhão de dólares

Enfim...
Tem até outras dessas saudosas fotos no álbum de fotos do orkut que a minha ex-namorada tirou pra mim.
Olhei com calma e vi nas fotos o 1º Flash Gordon; A coleção completa da primeira versão da revista de humor brasileira, a "Careta"; o primeiro gibi do Donald Fauntleroy Duck ...; Primeiras edições do Drummond, Bandeira, Guimarães Rosa e até Rubem Fonseca, que eu garimpava a comprava pelo antigo jornal O Balcão. Alguns deles até autografados!
Tudo isso virou papel picadinho.

Mas a porra do gibi do Super-Homem foi foda...
...aumentei até a dosagem do tarja-preta que eu tomo.
Falando sério! Acho que a ficha ainda não caiu.
Talvez a próxima postagem seja "SUICIDA FRACASSADO".

FRACASSADO BEM HUMORADO FRACASSADO





Recebi ontem um e-mail de uma moça que se diz fã (!?) do meu blog e ela insistiu para que eu lesse um texto anexo ao e-mail.

Senti que o e-mail era pra tentar levantar a minha moral, ver com outros olhos os meus fracassos. A mina que me mandou o e-mail, coitada, tava até que bem-intencionada. Queria me tirar do baixo-astral.
O texto chama-se "Como fracassar com bom humor".

Li. Até conheço o autor ( a obra, digo), Carlos Gerbase, desde quando ele era dos Replicantes, uma banda punk gaúcha dos anos oitenta bem-humorada pra caralho.

O cara é bom. É um cineasta, músico e professor de sucesso.
Sou só um merda de um fracassado. E ranzinza.

Portanto, minha cara fã (!?), infelizmente, não coaduno com as idéias expressas no texto, já que para mim, fracassar é uma parada deprimente pra caralho.
É um fato. Vivi / vivo isso. Não há como eu ver positivamente um fracasso.
Não sou otimista, nem irônico, nem bem humorado...

Mas, como ando enrolado pra caralho ultimamente e não consigo arrumar tempo pra postar mais fracassos aqui com a regularidade de antes, pra encher linguiça, taí o tal texto:


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Como fracassar com bom humor


por Carlos Gerbase em 04 de agosto de 2009


Há muitas coisas positivas no fracasso: ninguém vem te pedir dinheiro, ninguém te telefona de madrugada pra dar os parabéns, ninguém fica morrendo de inveja e te desejando o mal. O mal já está feito. Depois do mal, quase sempre vem o bem. Ou mais fracassos; não importa. Os fracassados têm um futuro radiante à sua frente: podem se erguer da lama e rastejar outra vez à procura do sucesso. Encontrando um novo fracasso, é claro. Mas, e daí? Fracassar várias vezes, como um sujeito perseverante, que não se deixa abater, é melhor que fracassar uma vez só, coisa de quem não tem força interior. Um fracassado fica com aquele ar abatido, triste, carente, que desperta o instinto maternal das mulheres e facilita novas aventuras amorosas. O homem de sucesso, ao contrário, com aquele sorriso brilhante, rodeado de bajuladoras siliconadas, terá enormes dificuldades para descobrir quem está sinceramente interessado nele e quem está querendo tirar uma casquinha do sucesso alheio. O homem de sucesso está acuado por um bando de chatos que dizem que o admiram, mas, na primeira queda, não hesitarão em chamá-lo de fraude. O fracassado curte a solidão a dois, pois sempre terá alguém disposto a consolá-lo. Como? Você é um fracassado e não tem ninguém que o console? Aí já é incompetência demais. Como em todas as situações da vida, é preciso um pouco de talento e perseverança. Um verdadeiro fracassado não se deixa abater. É preciso colocar o fracasso em seu devido lugar: no fundo. Um fracassado é como uma ação na bolsa que despencou absurdamente e que agora está com um preço muito convidativo. Quem investe num fracassado de hoje pode ter grandes lucros amanhã. Artistas geniais foram grandes fracassados. Van Gogh nunca vendeu um quadro. Mozart morreu miserável e foi enterrado em vala comum. Você prefere a companhia de quem? De Van Gogh e de Mozart, ou do débil mental que ganhou milhões produzindo o filme “O solteirão de 40 anos”? Pense bem, querido fracassado. Você pode se suicidar, como fazem muitos fracassados, mas aí não vai aproveitar o melhor do seu fracasso: a cara dos bem-sucedidos quando perceberem que você está vivo, acompanhado de uma bela mulher (que o consola), bebendo com os amigos do peito (e só amigos muito verdadeiros bebem com um fracassado), sendo comparado a Van Gogh e Mozart, e especulando qual será a sua próxima jogada em busca do sucesso. Que pode vir, ou pode não vir. E daí? O homem de sucesso só conhece o pavor de fracassar e vive numa perpétua ansiedade. Quer coisa pior? Deus te livre. Você é um fracassado e acha que está deprimido? Depressão não existe. Foi inventada pelos psiquiatras bem-sucedidos para encher seus consultórios à procura do sucesso financeiro, que, como eles mesmos proclamam, não vai curá-los da depressão. Não dê esse gostinho pra eles. Muito melhor que se entupir de antidepressivos é desfrutar, sem culpa, o doce sabor do fracasso. E rir dele. Um fracassado bem humorado se lambuza com a vida em toda a sua esplendorosa injustiça.

quarta-feira, 3 de março de 2010

ENTREVISTADO FRACASSADO


Ontem recebi um e-mail de um jornalista que tinha acabado de criar um blog.

Queria me entrevistar.

Um cara recém-formado. Inexperiente. Chato pra caralho. Se dizia meu fã.

Eu mereço...

E parei pra pensar: por que alguém me entrevistaria? Sou uma toupeira em qualquer assunto. Não tenho nada de interessante pra dizer.

O cara insistiu. Dei a “entrevista”. Sabia que ia dar merda. E deu.

Por isso a entrevista foi digna do entrevistado,um fracasso:

http://sensocontraoconsenso.blogspot.com/2010/03/entrevista-com-um-merda.html

Perdi um fã. Talvez o único.

quinta-feira, 25 de fevereiro de 2010

LIVRE DE PRECONCEITOS FRACASSADO




Porra!
Eu achando que eu era o maior desocupado perdendo o meu tempo ( ou que poderia estar usando meu tempo de sobra com coisas mais úteis) postando neste blog e twittando, e percebo que tem gente mais desocupada do que eu.

Ontem, recebi um e-mail bizarro de um tal de bastaaopreconceito@gmail.com dizendo ter reunido várias twittadas preconceituosas minhas.

O tal "Basta ao Preconceito" perdeu seu precioso anti-preconceituoso tempo reunindo postagens minhas no twitter que, segundo ela ( ou ele, ou uma bicha, sei lá), comprovariam sua tese.

Eu sou um monstro?
Um anti-semita, racista, homofóbico, machista e cheio de preconceitos linguísticos?
Até anão já me acusaram de não respeitar.

Pô, maior judiação! Neguinho fica nessa boiolagem, tipo dona-de-casa à toa, querendo que a coisa fique preta pro meu lado. Cambada de analfabetos. Isso me deixa lá em baixo, me sinto pequenininho.
Saca só o e-mail.
É muita falta do que fazer! Tanta coisa pra lutar, tanta criancinha melequenta precisando da ajuda deles e eles perdendo tempo com um merda fracassado!

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De: Basta ao Preconceito (bastaaopreconceito@gmail.com)
Enviada: quinta-feira, 24 de fevereiro 2010 18:08:09
Para: Alexandre Coimbra Gomes (alexandrecoimbragomes@hotmail.com);


Fracassado, como pode ter reparado, nós do Basta ao Preconceito estamos monitorando todos os seus trôpegos passos nesses textos mal redigidos que posta no seu blog e no seu twitter. No blog, temos deixado bem claro o nosso recado nas caixas de mensagens e espero que você não cometa a covardia de apagá-los. Mas o que nos deixou mais estarrecidos foram as suas postagens no microblog twitter. Em ínfimos 140 caracteres você é capaz de descarregar todo o seu preconceito racial, religioso, político, lingüístico e social sem o mínimo pudor. Não respeita nem deficientes físicos. Você acha que está sendo engraçado e que tem uma multidão te aplaudindo? Confirme a quantidade de seguidores que tem: apenas 20.
Veja com seus próprios olhos e faça um balanço das postagens que fez ano passado. Você pode até apagar, ou acabar com o seu perfil do twitter, mas as frases que foram catalogadas ( apenas algumas de centenas até mais ignóbeis) estão por nós, devidamente registradas, como na lista que segue.

Use toda essa sua veemência verbal para contribuir com a redução da violência contra a mulher, o preconceito racial velado no Brasil, o preconceito social, pela luta do proletariado contra o Imperialismo.

Sai dessa cara! Isso não vai te trazer energias positivas.

Leia por você mesmo algumas asneiras postou no
www.twitter.com/fracassado

Hoje, aqui no Rio, feriadão,calor pra caralho, praia lotada. Os favelados desdentados baixaram todos lá. Dia de São Sebastião Salgado. 7:27 PM Jan 20th via web

Vi hoje na TV uma pancadaria entre um monte de neguinhos.Eram haitianos brigando por comida.Alienado,achei que era imagem de baile funk.
6:34 PM Jan 20th via web

Vi "Atividade Paranormal".Fiquei boladão com uns vultos que passavam toda hora em frente a câmera. Mas eram do dvd pirata gravado no cinema.
7:37 AM Dec 15th, 2009 via web

Dinho Ouro Preto reestabeleceu a saúde. Apenas ficou com a idade mental de um adolescente de 17 anos. Ou seja, não sofreu seqüela nenhuma.
8:21 PM Dec 10th, 2009 via web

Venderei poemas na 25 de março, Meca da pirataria,e pôr como de minha autoria versos do Drummond e Bandeira. Poderão me chamar de criminoso?
8:18 PM Dec 10th, 2009 via web

Vi em dvd o “Simonal - Ninguém Sabe o Duro que Dei”.Bom,mas não me conformo por colocarem depoimentos do Jaguar e Ziraldo.Algozes tendo voz.
8:04 PM Dec 10th, 2009 via web

Num documentário sobre Vladimir Herzog caberia colher depoimentos dos torturadores com as "suas versões" dos fatos e em tom de deboche?
8:11 PM Dec 10th, 2009 via web

RT @
alexandrecgomes [ nanocríticas literárias] Li a Metamorfose do Kafka. Achei o personagem Gregor Samsa o maior barato! 7:03 PM Dec 10th, 2009 via web

Hoje é dia do samba de roda,do corno,da Não Violência contra a Mulher e do doador de sangue.Viva tudo de uma vez: coma a mina de um sambista
12:44 PM Nov 25th, 2009 via web

Se rolar outro apagão dia 20, evite dizer que tem medo do escuro.
#diadaconsciencianegrapoliticamentecorreto 7:40 PM Nov 16th, 2009 via web

Os pretos ficaram putos quando o Mott disse que o Zumbi era gay...Todas as minorias são iguais mas algumas são mais iguais do que as outras!
7:38 PM Nov 16th, 2009 via web

Quando Luiz Mott,antropólogo,afirmou que o Zumbi era gay, picharam em seu muro “Zumbi vive.” Claro porra! Todo Zumbi morre e ressucita! 7:34 PM Nov 16th, 2009 via web

Revolução sexual: Com a Fernanda Young, pela primeira vez na história,nenhuma esposa ao ver o marido comprando a Playboy vai sentir ciúmes. 7:24 PM Nov 16th, 2009 via web

Comprando a Playboy da F Young, dessa vez pode dizer pra sua esposa com sinceridade: Mulher pelada?Comprei a Playboy pra ler as matérias! 7:21 PM Nov 16th, 2009 via web

Bater punheta pra Playboy da Fernanda Young ? Pra mim ela não vale porra nenhuma! 7:20 PM Nov 16th, 2009 via web

TURMA DA MÔNICA TEEN. Debate na rua. Jeremias,crioulinho classe-média entra pra UERJ por cotas. Cascão mais pobre,mas branco,não consegue. 8:29 PM Nov 12th, 2009 via web

Uma mulher me disse hoje que não tinha coragem de fazer tatuagem: "Dói, é pra sempre e sangra." Tá... E quando perdeu o cabaço? 12:54 PM Nov 5th, 2009 via web

[ dúvidas sexuais] Coprófago diabético pode se relacionar com mulher que faz cu doce? 7:09 PM Nov 3rd, 2009 via web

[dúvidas sexuais] Como dois hermafroditas transando denominam a posição: papai-mamãe, papai-papai ou mamãe-mamãe? 7:09 PM Nov 3rd, 2009 via web

[dúvidas sexuais] Ouvir a frase "quem bate esquece, quem apanha nunca esquece" deixaria triste uma masoquista com alzheimer ? 7:08 PM Nov 3rd, 2009 via web

O cúmulo da sacanagem é rir de piada de humor negro escrevendo KKK... 3:27 AM Nov 3rd, 2009 via web

Será que em casa de pedófilo incestuoso quem dá de mamar ao filho é o pai? 9:56 PM Oct 23rd, 2009 via web

[dicas de etiqueta]: Se tu, Pastor, fores evangelizar num presídio, não é de bom tom combinar com os presos a “Sexta-feira da Libertação”. 6:22 AM Oct 20th, 2009 via web

[dicas de etiqueta]:Se estiveres num show do Racionais MC’s e der uma zica na mesa de som,evite berrar: “Porra! Neguinho só faz merda!” 6:21 AM Oct 20th, 2009 via web

[dicas de etiqueta]: Se durante a foda soltares um peidão e fores disfarçar,evite dizer:“Esse barulho saiu da sua buceta ou do meu cu?” 6:16 AM Oct 20th, 2009 via web

Lula sempre foi tão popular que criou um movimento na 1ª série que conseguiu analfabetizar sua profª da alfabetização #Lulaofilhodobrasil 7:57 PM Oct 19th, 2009 via web

Lula sempre esteve presente na luta de classes. No primário, liderou a pancadaria entre a 3ª-A e a 3ª-B #Lulaofilhodobrasil 7:57 PM Oct 19th, 2009 via web

O que você quer ser quando crescer Luis?“Presidente,fessora!”/E você Fabinho?“Porra, então vou ser cineasta e ficar rico”#Lulaofilhodobrasil 7:57 PM Oct 19th, 2009 via web

[provérbios pré-modernos] “Ninguem assobbia e chuppa conna ao mesmo temppo” 8:47 PM Oct 16th, 2009 via web

[provérbios pré-modernos] “ Querer é phoder” 8:46 PM Oct 16th, 2009 via web

[provérbios pré-modernos espanhóis] “Podrás olvidar aquellas con los que reiste pero nunca olvidarás aquellas con quienes dephloraste” 8:46 PM Oct 16th, 2009

[aula de português na favela]: Oje li um bilhete: Fogo não perdoe o professor. Tava sem vírgula, pô! É fogo! Já mandei pro microonda. 9:19 PM Oct 13th, 2009 via web

[aula de português na favela]: Agente da passiva? É X9! Fiquei na atividadi. Nem adiantô vir com lance de “sujeito paciente”.Cerol no prof. 9:18 PM Oct 13th, 2009 via web

[aula de português na favela]: Hoji o prof. veio falá negócio de termos integrantes. Fiquei bolado! Tá montando uma facção! 9:18 PM Oct 13th, 2009 via web

[aula de português na favela]: Na aula, se o sujeito naum concordar, abre o verbo, se incistir, abre o sujeito na faca. 9:17 PM Oct 13th, 2009 via web

[aula de português na favela]: Se tiver ua questão na prova sobre a regra da crase e vc naum saber,na resposta mande a merda. 9:17 PM Oct 13th, 2009 via web

[aula de português na favela]:Um bródi me falô que as vírgula bota nas pausa da respiração.O,pobrema,é,se,for,maconhêro,asmático,feito,eu. 9:17 PM Oct 13th, 2009 via web

Hoje quando os meus amigos me mostram saudosos o Falcon que ganharam no Dia das Crianças eu fico arrepiado. É a cara do pedófilo do bairro! 2:53 PM Oct 12th, 2009 via web

Minha infância foi tão fracassada e solitária que até o meu amigo imaginário ia curtir o Dia das Crianças e me deixava mais sozinho 2:41 PM Oct 12th, 2009 via web

[provérbios politicamente corretos] “ Não adianta você vir com historieta, lá em casa a coisa também tá afro-descendente” 11:43 PM Oct 10th, 2009 via web


Sem mais,

Saiba que és responsável por tudo o que publica, pois estamos de olho.

Basta ao Preconceito!

**********

Reli esse e-mail várias vezes.
Sinistro.
Os malucos ficaram lendo o meu twitter e catalogando postagens. Fiquei boladão. Nem a CIA é tão eficiente. Provavelmente essa gente deve ser uma cambada de funcionários públicos sem ter o que fazer, que gastam seus salários pagos com o meu imposto pra ficarem perdendo tempo na internet ameaçando inofensivos fracassados como eu.

Mas, humildemente, me perguntei: Eu sou preconceituoso?

Pra tirar essa dúvida, convidei uns amigos meus pra tomarem uma cerveja lá em casa e conversarmos sobre isso. Estavam: Isaac, um parceiro judeu; Charuto, um brother negão; Cléber, um caramarada viadaço; Damião, o faxineiro do meu prédio, analfabeto;Daniel, meu amigo anão e a minha ex-namorada a Milena, feminista de carteirinha ( quase homem).

Cervejas devidamente abertas, papo vai e vem, interrompi a conversa e, diante do silêncio geral, perguntei:

- Galera! Na moral. Cês acham que eu sou preconceituoso? É que lá no blog tão metendo o malho direto nas minhas postagens me acusando de umas paradas sinistras. Pra eles, Hitler é Madre Tereza de Calcutá perto de mim!

Daniel, de bate-pronto, estarrou: mas, cara, você é o maior fracassado, ininputável, ninguém te dá ouvidos! Um merda, disse o Isaac. Perdedor, sentenciou o Cléber. Um zero a esquerda, mandou o Charuto na minha lata. Um broxa, isso é que você é, esplanou geral a Milena.

Todos riram da minha cara e continuaram tomando as suas cervejas.

A galera exagerou na birita e começou a rolar uma baixaria sinistra. Todo mundo bebaço. O Cléber teve uma disenteria de tanto tomar licor de ovo e cagou na saída da minha casa. O Charuto, maior mão-de-vaca, arrumou uma tremenda encrenca dizendo que não ia contribuir no rateio pra buscar mais cerveja. O Isaac, tentando apaziguar a ira do Charuto ficou gritando histérico: “Chega de pobrema gente, chega de pobrema!”. A Milena, encharcada de conhaque de alcatrão, decidiu resolver a parada e sacou um cheque que, de tão bêbada, não conseguiu assinar, pegando a minha almofada de carimbo e metendo o dedão na última folha do cheque tentando assinar com a digital, que borrou a porra da folha toda. O Daniel alto de manguaça, em meio ao imbróglio, sentou no meu colo e começou a me fazer cafuné, dizendo que era pra me acalmar. Me levantei rapidamente e derrubei o Daniel no chão. As luzes se apagaram. Alguém passou a mão na minha bunda e, de cara, eu dei uma murro na cara do Daniel (na covardia mesmo, já que era o menorzinho). O Daniel meteu um pontapé no saco da Milena que quebrou uma garrafa no quipá do Isaac.. A porrada estancou feio. De repente, o Damião, puto, vodka na cabeça, meteu a porrada em todo mundo e ( acho que incorporando um médium moskovita), pediu silêncio, sentou-se na mesa e começou a psicografar em russo:

только одна не имеет абсолютно стерильных ущерба. Человек дает предвзятость, а baneneira дает банан.

Eu traduzi no Google Translator:

* Só alguém absolutamente estéril não tem preconceito. O ser humano dá preconceito como a bananeira dá banana!
Sábias palavras as do Damião ( ou do espírito - de porco - encarnado).

quinta-feira, 18 de fevereiro de 2010

MESTRE FRACASSADO


Na postagem anterior fabulei sobre os ensinamentos de um Mestre, minutos depois recebi um e-mail de um leitor deste blog dizendo-se um discípulo de um Merda: Eu.


Como um Mestre, sinto-me orgulhoso de ter um discípulo mais merda do que eu, já que este discípulo tem como Mestre um Merda,portanto esse discípulo é o meu Mestre.


Ou o Mestre continua sendo eu mesmo, que sou discípulo de um discípulo de um Merda?


Então eu sou discípulo em segundo grau de mim mesmo? Que merda!


Chega de merda.


A seguir vai o segundo texto do tal de Lucio que publico aqui. O texto de um verdadeiro Mestre da merda:


**********

Caríssimo Merda,

Fiquei muito orgulhoso ao ver meu e-mail publicado em seu honorável blog.

Tão orgulhoso que envio mais um texto que espero que agrade e possa ser igualmente publicado.

Um esclarecimento, apenas. Quando comecei a escrever, percebi que estava ficando muito direitista. Então, tratei de cravejá-lo, como feijões na merda, de referências a Chico Buarque, Geraldo Vandré, Caetano Veloso, Totonho e os Cabra, entre outros, para não desagradar o apparatchik petista. Você e os eventuais leitores que decidam quem é o feijão ou a merda.

Bem, é isso.

Sds,

Lucio


P.S. Nunca curti teatro. Acho que é papo de padeiro distraído. Mas sempre gostei da saudação que os atores fazem entre si antes de entrar em cena. Por isso, merda pra você!

****


Ao mestre com carinho ou Merda que te quero merda.

Lendo seu post sobre a Zorra Total, programa que eu adoro – o Paulo Silvino é um ator muito melhor que o Jim Carrey, se formos falar de atores pantomímicos – me ocorreu que apesar de não endossar a maioria das críticas que se fazem a televisão brasileira como um todo, e a Rede Globo em particular, posso afirmar com toda convicção que uma das maiores decepções da minha vida foi proporcionada por esta última.

Explico. No Fantástico havia um quadro de um tal doutor Bactéria. O cara fez fama e anda ganhando grana até do governo federal, estrelando campanhas de esclarecimento sobre doenças como a gripe suína, por exemplo. Só que eu cagava e andava para tudo o que ele dizia. Sexo, que é uma das melhores coisas do mundo, não se faz, ou ao menos não se faz bem, sem a concorrência de milhões de bactérias. Sem passear a boca pelas partes mais pudicas (leia-se: lotadas de bactérias deliciosas) do corpo da mulher, não há como garantir uma boa foda.

De tal modo que todo aquele nhém-nhém-nhém (sentiu a citação sutil ao FHC?) não passava para mim de bullshit (pró-americanismo velado – hoje estou bem político. É propaganda subliminar do neo-liberalismo. Sacou? As eleições se aproximam.É preciso estar atento e forte.).

Mas se cagava e andava para o doutor Bactéria, quando o assunto era a minha merda, aí a cagada sempre se revestiu da maior solenidade. Li o Millôr quase todo sentado no trono (mentira, né. Devo ter lido só uns trinta livros dele. Mais umas duas mil páginas de jornal e revistas, o que não chega a ser nem um terço de seus escritos.). Sempre procurei as melhores companhias para minha defecação diária. Até Prost cheguei a ler cagando. A merda é a minha madeleine.

Minha relação afetiva com excrementos é tão visceral (trocadilho de merda, eu sei. Mas é sempre assim que os obro) que minha istória (Millôr, Millôr!!!) favorita do quadrinhista Marcatti é justamente a que a personagem principal se apaixona por sua hemorróida e dessa relação amorosa nasce um belo e simpático cocozinho. Uma gracinha, com feijõezinhos enfeitando seu belo rosto.

Tudo ia muito bem no contubérnio do Lucinho e seu cocô, até que o filho da puta do referido doutor Bactéria produziu uma merda duma matéria que mudou de forma violenta a relação que mantinha com meus amados excrementos.

Seguinte: grande prazer da minha vida, desde a mais tenra infância, sempre foi dar uma cagada bem demorada e, depois de concluída a tarefa hercúlea (cago horrores!!!), me levantar e dar a descarga olhando compenetradamente minha obra (de novo trocadilhando. Produzo calembur a merda, digo, metro.) dar a descarga enquanto me despeço daquele que o Chico Buarque (mérdia com as esquerdas. Tenho um medo que me pelo de patrulhas politicamente corretas.) poderia chamar de “Oh, pedaço de mim”.

No entanto, como manter esse amor platônico (nunca cheguei as vias de fato) depois daquela hedionda reportagem? O desgraçado encheu de caraminholas minha cabeça, plantando mais merda onde já há tantas. O pulha informou, todo cheio de dados científicos e que tais, que ao acionar a descarga com a tampa do assento do vaso aberta sobe uma nuvem de cocô, que fica pairando por três horas (!!!) e cujas partículas vão se alojar em vários locais, especialmente nas escovas de dente. Merda pra mim sempre foi igual puta: eu as amo, mas jamais beijo na boca. Deus me livre de viver a experiência de descobrir “que gosto insuportável ela tem!” (Soneto do Gostinho Sádico, in Sonetário Sanitário, Glauco Mattoso).

Aquilo foi cruel. Desumano. O medo de escovar os dentes com cocô me causa a imensa dor, como a de um pai impedido do último adeus, da despedida daquele a quem carreguei no ventre. Hoje, privado da minha merda, só me resta lamentar e cantar aquela canção: “Oh, pedaço de mim/ oh, metade arrancada de mim ...”

AUTOR DE FÁBULAS FRACASSADO




A fábula a seguir diz tudo sobre a relação entre um Mestre de merda e um merda de um discípulo. Demorei anos para elaborá-la. Fábulas são frutos de situações vividas. Vivi muita merda e resumi todo o conceito nesta merda de narrativa fabulosa.


******
Diz a fábula que o mestre e seu discípulo estavam caminhando. O mestre aproveitava a oportunidade e tentava passar alguns ensinamentos ao discípulo.


Numa determinada etapa da conversa o discípulo estava encontrando dificuldades em assimilar o que o mestre estava tentando lhe passar.


Então o mestre sugeriu que eles voltassem ao templo, pois ele queria tomar chá.
Chegando ao templo o mestre solicitou ao discípulo que pegasse um penico.


O discípulo, prestativo, foi pegar o penico.


- “Cague no penico”, disse o mestre.


O discípulo obedeceu.


- “Cague até encher o penico”, insistiu o mestre.


O discípulo esforçou-se, como todo discípulo se esforça para agradar ao seu mestre, e cagou um quilo e duzentos gramas de merda pura. Olhou para o penico cheio e olhou para o mestre, orgulhoso de si.


Para surpresa do discípulo, quando este estava para levantar as calças, o mestre solicitou que ele voltasse e cagasse mais no penico.


Ao que o discípulo argüiu:


- "Mas...Mestre... o penico já está cheio!"


O mestre, impávido, falou suas sábias palavras para o discípulo:


- "O charuto sempre estará no beiço”


Nova argumentação do discípulo, nova frase genial do mestre.


- “Aê maluco, se liga na missão: há sempre como cortar o rabo do macaco. Fritar um quibe.”


A merda começa a transbordar do penico para o chão, e o discípulo para...


O mestre insiste em sua solicitação: que quer que ele continue. A merda transborda pelo penico e, deste, ao chão.


- “Mestre, meu intestino está vazio”


O mestre, então, indaga o discípulo:


- "Demorô! O que você aprendeu com isto?"


O discípulo diz que nada, pois ele já sabia que a merda iria trasbordar para o chão.


O mestre retruca:


- " Se liga na situação shock: O ensinamento que isto nos traz é que para caber mais merda no penico,o penico precisa estar um pouco vazio. Em penico cheio não cabe mais merda."


E continuou:


- " Sangue bom, se a sucessagem é classe, assim também somos nós!"


E complementou sabiamente:


- "Sem neurose no bonde. Assim é a nossa cabeça. Quando achamos que não sabemos nada, quando temos muitas incertezas, quando a nossa cabeça está totalmente cheia de merda, então a nossa cabeça não tem espaço para mais merda, novos pensamentos fracassados e ensinamentos toscos não conseguem chegar."


E concluiu:


- "A vida é loka. É necessário ter permanentemente a nossa cabeça um pouco oca para poder ter mais porcarias para aprender, como este ensinamento que acabei de passar que, na verdade, eu mesmo não entendi direito que bosta isso tudo significa."


O discípulo coçou a cabeça e entendeu menos ainda. O mestre percebeu que o discípulo não havia limpado a bunda e prosseguiu:


- "Não fique boladão. As nossas certezas vêm das merdas que pensamos. Mas temos que pensar nas merdas futuras. Merdas cagadas não voltam ao intestino. O cagado já cagou, e o que acontece hoje não pode ser interpretado à luz do que já foi cagado. Isso seria o mesmo que caminhar cagando em uma noite escura, para frente, em um caminho desconhecido, com uma vela acesa às nossas costas, iluminado o a merda já cagada. Relaxe o esfincter e deixe sempre sua cabeça oca apreender o que o mundo lhe oferta de bizarrices e decepções.”


O discípulo olhou para o Mestre e, feliz por mais aquele aprendizado sem sentido, disse berrando:


-“Mestre! Não entendi porra nenhuma do que me ensinaste, só sei que tu és um Mestre de merda e eu me orgulho de ser um merda de um discípulo teu!”


E o magistral mestre finalizou genialmente:


- “Vai pra puta que o pariu, vai tomar no olho do cu, viado, tua mãe tá na zona, seu irmão é retardado e a sua irmã é a maior vadia lá do bailão da furacão. Agora limpe essa merda toda que você fez e saia pelo mundo levando meus ensinamentos. Frenetizai no bagulho sinistro.”

Fim